A inspecção do T-6.....

Agosto de 1968, apresenta-se este vosso amigo com a respectiva guia de marcha, na  Esq. de Pessoal do AB 4.

Como tinha vindo de uma unidade ( BA 7 - Aveiro ), e estava na manutenção dos T-6 e Chipmunks, não houve necessidade de efectuar qualquer reciclagem, pois no AB 4 só existiam T-6 e Do-27, assim foi chegar e andar e, 3 semanas depois estava já a caminho do Cazombo, para a minha primeira operação.

No decorrer da operação e, devido ao facto de os aviões estarem praticamente todo o dia a voar, ao fim de quatro dias houve necessidade de ir a Henrique de Carvalho, para fazer uma inspecção de 100 horas a um T-6 visto no Cazombo não existirem condições, foi combinado que a descolagem seria logo a seguir ao almoço, estando já o pessoal avisado em Henrique de Carvalho para o facto, a inspecção decorreria em período nocturno, para que o avião regressasse ao Cazombo, ainda a tempo de efectuar alguns vôos, na manhã seguinte.

E, assim foi, lá viemos nós rumo ao AB 4, a pilotar o Alf. Maia e como mecânico o vosso amigo Jeremias.

Como todos vocês sabem, o T-6 possui comandos duplos, neste caso só não estava montado o manche traseiro. Assim que descolámos, este vosso amigo, andava cansado e " bêbedo " de sono, por causa dos dias já decorridos na operação.

Com o pára-quedas nas costas a fazer as vezes de uma bela almofada e auscultadores nos ouvidos, refastelei-me comodamente procurando arranjar a melhor posição para passar um bocado pelas " brasas ", só havia um pequeno problema, o espaço era curto e não havia meio de arranjar posição para esticar as pernas, mas eis que surge uma luz, a alavanca dos " flaps " dava um apoio bestial para isso, e vai de esticar as pernas em cima da alavanca e, assim fazer o sono dos justos.

Pois é, bem instalado estava eu ( dentro das possibilidades ), o pior foi quando chegámos a Henrique de Carvalho. A pista do AB 4 era bastante comprida e, o Alf. Maia que gostava muito de aterrar com pouca corrida, , quando quis abrir os " flaps " para reduzir a velocidade, não conseguiu e, teve que efectuar um valente " borrego ", de tal maneira que eu dei um enorme salto na cadeira, pois para estar mais à vontade trazia os cintos da cadeira desapertados, só aí eu acordei e verifiquei que já estávamos em Henrique de Carvalho.

Depois deste percalço, lá teve o Maia de se fazer de novo à pista, danado com o aparelho e com os " flaps " que não abriram, a " avaria dos flaps " foi reportada no livro do avião para ser rectificada na inspecção, claro está que não se fez nada, porque não existia avaria nenhuma, mas sim uma " perninha marota ", que estava no lugar errado à hora errada.

O Alf. Maia nunca soube o que se tinha passado, mas posso dizer-vos para terminar, que para mim foi um bom vôo e uma bela soneca !!!!

Carlos Jeremias
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